3 – Vida há 2000 anos: dos 13 aos 30 anos, batismo, vida pública, os judeus e a crucificação, filme A Paixão de Cristo, O Código da Vinci, Judas Iscariotes

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1) Onde esteve Cristo dos 13 aos 30 anos já que a Bíblia não nos relata?

INRI CRISTO: “Dos treze aos trinta anos, sem livre-arbítrio, fui levado por meu PAI, SENHOR e DEUS a experimentar os pecados do mundo a fim de vencer o mundo (‘Haveis de ter aflições no mundo, mas tende confiança: eu venci o mundo’ – João c.16 v.33). Conforme profetizara Isaías (c.7 v.14): ‘Eis que o SENHOR vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel. Ele comerá manteiga e mel até que aprenda a rejeitar o mal e escolher o bem’. ‘Comer manteiga e mel’ significa experimentar os pecados do mundo, conhecer o bem e o mal, posto que o mel é o doce e a manteiga (nas traduções mais antigas da Bíblia escreve-se leite coalhado) é o azedo. Por estar enlameado nos pecados do mundo, exigi ser batizado por João Batista, que se considerava indigno até de desatar minha sandália (João c.1 v.27). Só após o batismo pousou sobre mim o Espírito Santo (João c.1 v.32 e 33). Se assim não fosse, quando trouxeram Maria Madalena diante de mim, deixaria que a apedrejassem. Todavia, por haver convivido no meio dos homens, sabia que todos tinham pecado e respondi-lhes: ‘Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra’ (João c.8 v.7 e 11)”.

2) O que os essênios significaram na vida do Senhor? Seria verdadeira a afirmação de que eles tiveram a missão de lhe transmitir muitos ensinamentos?

INRI CRISTO: “Na época em que eu me chamava Jesus, os essênios preservavam a lei divina. Nesta condição havia algo em comum entre mim e eles. Mas o único vínculo mais profundo que deveras existiu é que eventualmente me convidavam para cear, nada além disso. Dizem alguns fanáticos desinformados que eu, Cristo, fui iniciado pelos essênios. Isso é uma imbecilidade, uma burrice, um contrassenso, pois o SENHOR DEUS, meu PAI, não permitiu que eu fosse iniciado por ninguém. Há dois mil anos fui iniciado unicamente pelo meu PAI e agora também, na condição de teodidata. Alguém é iniciado por alguma escola quando vem ao mundo para aprender com os homens. Todavia, eu não vim ao mundo para aprender com os homens, nem agora nem no tempo em que me chamava Jesus. Vim ao mundo para ensinar aos homens. Os essênios me acolhiam porque se identificavam com meus ensinamentos, com meus pronunciamentos. É como nos tempos atuais. Em minha longa caminhada sobre a Terra, muitas vezes fui convidado para cear com diversos grupos esotéricos, incluindo o dos neo-essênios. Mas isso não quer dizer que tenha pertencido, que tenha me unido aos esoteristas de qualquer corrente com que tivesse me relacionado. Quando expulso da Venezuela em 1980, fui hóspede na comunidade eclética em Brasília, cujos habitantes se dizem essênios, a convite do fundador Iokanã. Não obstante, esses ditos essênios são necrófagos, ou seja, comem cadáveres, diferente dos essênios de dois mil anos atrás, que eram vegetarianos”.

3) Qual a sua opinião sobre o filme A Paixão de Cristo? Foi violento?

INRI CRISTO: “Violenta foi a ideia que tiveram há dois mil anos e agora. Sempre essa necessidade de reprisar, essa necessidade que o povo tem de ver sangue. A ideia de dois mil anos atrás foi violenta porque não havia necessidade de toda aquela sem-vergonhice. Bastava me crucificar e pronto. Não havia por que me chicotear, me humilhar e cuspir em meu rosto. O próprio Pilatos disse que não encontrara crime nenhum em mim. E agora também não havia necessidade de reproduzir o suplício em dose exacerbada. Digamos que o diretor do filme, o Gibson, de acordo com a necessidade contemporânea, deu uma pitadinha suplementar em algumas coisas, a exemplo do corvo devorando o olho de um dos ladrões. É por aí que se vê o lado fantasia, o lado mórbido, o lado da sede de sangue. Nesse sentido ele foi infeliz, porque sou obrigado a dizer que não foi tudo exatamente daquele jeito, foi mais ou menos. O filme exagerou na dose de violência. Para os tempos atuais, em que os seres humanos ligam a televisão e é morte, é crime, é assassinato, se ele produzisse o filme exatamente como foi não daria bilheteria, não daria lucro. Mas o Gibson foi muito feliz, sim, em termos de lucro, pois a indústria da morte dá lucro. Ele ganhou e vai ganhar ainda muito dinheiro, independentemente da pirataria”.

4) A principal polêmica gerada pelo filme foi ter atribuído aos judeus a principal culpa pela crucificação, o que lhe rendeu o adjetivo “antissemita”.  O que os judeus significam para o Senhor? Foram eles realmente que o crucificaram?

INRI CRISTO: “Ninguém é obrigado a crer, mas eu sou o mesmo judeu que crucificaram. Não preciso mais dizer que sou o Rei dos Judeus; meu nome fala por mim, INRI, o nome que Pilatos escreveu acima de minha cabeça quando eu agonizava na cruz (Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum). É o meu novo nome (‘Ao que vencer… escreverei sobre ele o nome de meu DEUS… e também o meu novo nome‘ – Apocalipse c.3 v.12). Reconheço como judeus aqueles que me reconhecem como Messias, o enviado do ALTÍSSIMO. Meu PAI, SENHOR e DEUS disse que, desde minha crucificação, por eles não haverem me reconhecido, o critério para identificar um judeu passou a ser a pureza do coração, que faculta o reconhecimento de minha identidade, não meramente a ascendência biológica. Eis a explicação de minhas proféticas palavras: ‘Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas me reconhecerão pela minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor’ (João c.10 v.4 e 16). Quanto à crucificação, ela já estava nos planos de DEUS antes mesmo de eu reencarnar do ventre de minha genitora, posto que vim ao mundo a fim de resgatar os pecados da humanidade. Na condição de Primogênito de DEUS, fui eu, Adão, quem iniciara a humanidade no caminho do pecado; por isso calei, não me defendi ante as acusações que me arremessavam. Ao contrário, disse: ‘PAI, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ (Lucas c.23 v.34). Em que pese muitos responsabilizarem, na ignorância, o povo judeu pela crucificação, em verdade vos digo: foram os romanos que me crucificaram. Naquele tempo a Palestina estava sob jugo do Império Romano. Os judeus não tinham autoridade nem poder governamental para decretar a execução. Logo, é uma injustiça imputar-lhes a culpa. Pôncio Pilatos foi nomeado pelo imperador romano para, como interventor, governar a Judéia. Quem tinha poder político para ordenar a crucificação era Pilatos, poder este que manifestou ao dizer: ‘Defenda-te! Não vês que eu posso te crucificar ou te libertar?’, ao que lhe respondi: ‘Nenhum poder terias sobre mim se não te fosse dado do alto’ (João c.19 v.10 e 11). Ao falar isto Pilatos estava mostrando que era ele quem iria decidir se eu seria crucificado ou não, como bem decidiu ao lavar as mãos. Foi um gesto covarde que ficou para sempre registrado na história da humanidade. Todavia DEUS permitiu-lhe fazer uso desse poder, pois nada acontece na terra sem o consentimento de DEUS e ninguém exerce o poder sem a anuência do ALTÍSSIMO. Obviamente, na condição de líder religioso, minha presença contrariava (e continua contrariando) interesses. Em consequência disso, alguns sacerdotes da época, chefiados por Caifás, sentiram-se ameaçados e incitaram, fustigaram o povo a gritar contra mim: ‘Crucifique! Crucifique!’ (João c.19 v.6), conforme bem profetizara Isaías (‘O SENHOR cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, e não compreendam com o coração, e não se convertam, e eu não os sare’ – João c.12 v.37 a 41, Isaías c.6 v.8 a 10). Mas não se pode culpar o povo por ser povo. Culpar o povo judeu pela crucificação equivale a culpar o povo alemão pelas barbáries de Hitler. Façamos justiça: a responsabilidade pela minha crucificação cabe unicamente a Roma”.

5) Como o Senhor explica que os judeus tenham conseguido manter-se coesos durante tantos séculos?

INRI CRISTO: “Mesmo sem pátria e dispersos pelo mundo até 1948, ocasião em que foi criado o Estado de Israel, eles se conservaram devido ao elo, à união com o ALTÍSSIMO. Embora não me tenham reconhecido como Messias, ainda assim mantiveram-se humildemente ajoelhados diante do único DEUS, meu PAI, o CRIADOR Supremo, único Ser incriado, único eterno, único Ser digno de adoração e veneração, único SENHOR do Universo. O SENHOR prometeu-lhes que, enquanto guardassem fidelidade, Ele sempre lhes seria benevolente e misericordioso, validando o pacto feito com Abraão, Isaac e Jacob (Levítico c.26 v.42). Quem adora unicamente a DEUS, meu PAI, e ora unicamente a Ele, sem intermediário, tem Sua proteção e nunca será desamparado, exceto na ocasião de resgatar débito carmático face à violação da lei divina”.

6) O Senhor diz que viveu enlameado pelos pecados do mundo antes de jejuar em Santiago do Chile em 1979. Isso quer dizer que você também pecou durante esse tempo? O que o Senhor diz sobre a polêmica gerada em torno do livro O Código da Vinci, que põe em questão um possível relacionamento entre você e Maria Madalena?

INRI CRISTO: “Há que se interpretar o significado das palavras. Voltei a este mundo sem livre arbítrio, e sem livre arbítrio meu PAI me levou a conhecer os pecados do mundo para poder julgar a humanidade, para ter autoridade sobre o mundo. A questão não é que eu tenha pecado, e sim que meu PAI me submeteu a conhecer os pecados do mundo. Não se pode considerar um médico assassino quando corta o corpo de uma pessoa numa cirurgia, posto que ele está obedecendo ao ritual inerente à profissão de médico. O sociólogo não pode ser considerado ladrão nem bandido quando tem que visitar uma prisão a fim de analisar o comportamento dos detentos que cometeram delitos. Assim também é no caso do Filho do Homem que vos fala. Conduzido pela poderosa mão de meu PAI, fui dormir sim nos prostíbulos com as prostitutas, nas favelas, frequentei as boates e os cabarés, andei pelas esquinas sociais, enfim, conheci de perto as vicissitudes de meu povo a fim de compreender o que se passa com os seres humanos, da mesma forma que há dois mil anos. Os velhacos traidores da causa divina enganaram o povo cristão dizendo que eu me mantive distante dos pecados do mundo, portanto teria sido um Cristo puro e ingênuo. Todavia está previsto no livro de Isaías c.7 v.14 que, com o nome de Emmanuel, eu comi manteiga e mel até aprender a separar o mal do bem. Comer manteiga e mel significa saborear o doce e o azedo (posto que nas traduções mais antigas manteiga era traduzida por leite coalhado, que é azedo), conhecer o bem e o mal, ou seja, experimentei os pecados do mundo a fim de obter discernimento para ajudar os meus filhos e libertá-los das escravidões da carne. Isso significa que, há dois mil anos da mesma forma que agora, estive na alcova sim não com uma, mas com muitas prostitutas; prova disto é que exigi ser batizado por João Batista e só após o batismo pousou sobre mim o Espírito Santo (Mateus c.3 v.14 a 16). Os embustólogos que se dizem teólogos criaram um folclore, teceram uma rede de ilusões e fantasias em cima de minha imagem a fim de melhor exercer o domínio sobre o povo cristão. Mas eis que o castigo é inerente ao pecado. Por conta da burrice e da mentira máxima que aplicaram na cabeça do povo durante esses dois mil anos de minha ausência é que agora, para desespero dos mentirosos, surgiu este livro O Código da Vinci. Mentiram tanto que já não sabem mais o que fazer, já não sabem que mentira inventar para encobrir as tantas mentiras que ensinaram, estão muito mais desesperados agora do que na época em que lançaram o filme A Última Tentação de Cristo. Se os sacerdotes traidores da causa divina tivessem admitido e ensinado ao povo que, há dois mil anos, dos treze aos trinta anos (portanto antes do jejum e de ser batizado por João Batista) eu havia experimentado os pecados do mundo (até porque a Bíblia não diz onde estive nesse período), então agora eles saberiam como se defender. Tivessem ensinado a verdade ao meu povo, não haveria motivo para polêmica ou escândalo em dizer que estive na alcova com Maria Madalena”.

7) Então o Senhor admite que teve relações com Maria Madalena?

INRI CRISTO: “Através da dialética que DEUS me concedeu, pelo caminho da lógica e da racionalidade, eu posso vos provar que não tive relações carnais com Maria Madalena. Não porque ela fosse desprovida de beleza e dos atributos femininos inerentes às mulheres, e sim porque eu já não tinha a inquietude carnal própria do ser humano, meu PAI havia me concedido poder sobre a carne, como está bem registrado nas Sagradas Escrituras que eu venci o mundo (‘Havereis de ter muitas aflições no mundo, mas tende confiança, eu venci o mundo’ – João c.16 v.33). A relação que tive com Maria Madalena foi a mesma que tive com todas as mulheres naquele tempo. Elas recebiam a bênção e me assistiam com suas posses, enfim, participavam da minha caminhada sobre a terra. Ademais, foram elas que permaneceram fiéis e próximas a mim no momento de agonia na cruz, e dentre elas estava Maria Madalena. O amor existente entre nós era puramente espiritual. Eu vos digo em verdade que há dois mil anos, antes de meu PAI me dar poder sobre a carne, estive na alcova não com apenas uma, mas com muitas mulheres. Todavia, quando Maria Madalena me conheceu, eu já havia vencido a carne, já não tinha essas inquietudes que são inerentes aos seres humanos, logo não havia possibilidade de eu ter mantido relações carnais com ela. A única relação que tive com Maria Madalena é que ela se ajoelhava e eu colocava as mãos em sua cabeça, concedia-lhe a bênção. Mas como os que se dizem meus representantes mentiram e criaram um folclore da minha imagem de Jesus, agora estão como baratas tontas, como cegos em tiroteio; estão sem saída, sem saber o que fazer. No presente momento, em minha presente passagem por aqui, estou com 62 anos de idade, de existência terrena. Quando jejuei, tinha apenas 31 anos, ainda era jovem, mas foi a partir de então que meu PAI me deu consciência de minha condição, de minha identidade e me concedeu poder sobre a carne. Eis que olho para todas as mulheres como minhas filhas, assim como olho para todos os homens como meus filhos, com amor de Pai; olhai para mim e vede nos meus olhos o amor paternal. Desde 1979, meu amor, minha forma de amar é a mesma para todos vós, homens e mulheres, jovens e idosos. Até então eu havia experimentado manteiga e mel sim, conheci os pecados do mundo, mas não pequei, porque afinal, primeiro é necessário saber: o que é pecado? Pecado é tudo que fizeres que faz mal para ti ou para outrem; tudo que fizeres que não faz mal a ti nem aos outros não é pecado. Inculcaram em vossa cabeça que tudo é pecado no intuito de exercer domínio mental, encabrestar os incautos, enfim, escravizar as cabeças dos seres humanos. Portanto não pequei, e sim sem livre arbítrio experimentei todos os prazeres, todos os pecados do mundo. Aí acabou a fantasia. ‘Ah, INRI, então você teve um filho?’ Eu não era anormal, tive vários filhos e filhas, é lógico. Deitei na cama com as mulheres e nem sempre elas eram estéreis, algumas delas eram fecundas. Vamos eliminar de uma vez por todas essas fantasias, vamos remover essa maldita couraça negra, essa névoa obscura que criaram em torno de minha imagem. Vamos ser realistas e só assim, sendo realistas, compreendereis que eu jamais renunciei ao mundo, e sim que eu venci o mundo, venci a carne, sobrepujei as inquietudes inerentes aos seres humanos. Aconteceu comigo agora o mesmo que aconteceu há dois mil anos e vos posso afirmar com a autoridade da certeza e da experiência, jamais meramente como uma hipótese. Em 1979, em Santiago do Chile, logo depois do jejum, meu PAI me mostrou nitidamente o corpo de uma mulher completamente despido do ventre para baixo, um corpo lindo (vós sabeis o que se vê do ventre para baixo do corpo de uma mulher despida). A seguir, o SENHOR disse: ‘Nunca mais tu vais usar as tuas filhas como os homens o fazem. Nunca mais!’ Mas na sequência, com Sua poderosa mão, Ele impeliu em mim as energias do sexo e fez que subissem via coluna vertebral para alimentar o meu cérebro, e então experimentei pela primeira vez o êxtase da comunhão íntima com meu PAI, o gozo da simbiose com DEUS, que é muito mais forte, muito mais poderoso e sublime do que o prazer efêmero da relação carnal entre um homem e uma mulher. Mas não fui eu que busquei, não escolhi, eu tive a revelação de meu PAI e Ele concedeu-me poder sobre a carne; enfim, tudo aconteceu naturalmente”.

8) E os aspectos históricos do livro?

INRI CRISTO: “Como bem mencionou o escritor no início do livro, todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos no romance correspondem rigorosamente à realidade. Há uma parte do livro em especial que retrata resumida, porém claramente, todas as alterações introduzidas no seio do cristianismo ao longo dos séculos que desvirtuaram, vilipendiaram seu aspecto original. Os ensinamentos que deixei antes de ser crucificado foram abafados, suprimidos, asfixiados pela ambição, pela sede de poder dos traidores da causa divina, que eliminaram do seu caminho, através da espada, do fogo ou da tortura, qualquer pessoa que ousasse opor-se às suas barbáries (o atual sumo pontífice eleito, Bento XVI, ao chefiar a Congregação para a Doutrina da Fé, que é a Inquisição da modernidade, foi durante muitos anos o herdeiro dessas atrocidades). Mas como DEUS não dorme e tudo vê das culminâncias de sua insofismável onisciência, onipresença e onipotência, reenviou-me a este mundo para restabelecer a verdade avassaladora e ensinar Suas santas e eternas leis aos homens”.

(O autor cita no capítulo 55 do livro O Código da Vinci: “…Mais de 80 Evangelhos foram estudados para compor o Novo Testamento, e no entanto apenas alguns foram escolhidos – Mateus, Marcos, Lucas e João… A Bíblia, tal como a conhecemos hoje, foi uma colagem composta pelo imperador romano Constantino, o Grande. Ele foi pagão a vida inteira, batizado apenas na hora da morte, fraco demais para protestar. Na época de Constantino, a religião oficial de Roma era o culto de adoração ao sol – o culto do Sol Invictus, ou do Sol Invencível -, e Constantino era o sumo sacerdote! Infelizmente para ele, Roma estava passando por uma revolução religiosa cada vez mais intensa. Três séculos depois da crucificação de Cristo, seus seguidores haviam se multiplicado exponencialmente. Os cristãos e pagãos começaram a lutar entre si, e o conflito chegou a proporções tais que ameaçou dividir Roma ao meio. Constantino viu que precisava tomar uma atitude. Em 325 d.C., ele resolveu unificar Roma sob uma única religião: o cristianismo. …Constantino era um bom negociador. Enxergou a ascensão do cristianismo e simplesmente apostou no cavalo que estava vencendo. Os historiadores ainda se maravilham ante a eficiência demonstrada por Constantino ao verter os pagãos adoradores do sol em cristãos. Fundindo símbolos, datas, rituais pagãos com a tradição cristã em ascensão, ele gerou uma espécie de religião híbrida aceitável para ambas as partes. …Os vestígios da religião pagã na simbologia cristã são inegáveis. Os discos solares egípcios tornaram-se as auréolas dos santos católicos. Os pictogramas de Ísis dando o seio a seu filho Hórus milagrosamente concebido tornaram-se a base das modernas imagens da Virgem Maria com o Menino Jesus no colo. E praticamente todos os elementos do ritual católico – a mitra, o altar, a doxologia (hinos e preces) etc. – foram diretamente copiados de religiões pagãs místicas mais antigas. …Nem existe um simbologista que seja especializado em símbolos cristãos. Nada é original no cristianismo. O Deus pré-cristão Mitras – chamado o Filho de Deus e a Luz do Mundo – nasceu no dia 25 de dezembro, morreu, foi enterrado em um sepulcro de pedra e depois ressuscitou em três dias. Aliás, o dia 25 de dezembro é também o dia de celebrar o nascimento de Osíris, Adônis e Dionísio. O recém-nascido Krishna recebeu ouro, incenso e mirra. Até mesmo o dia semanal dos cristãos foi roubado dos pagãos. Originalmente, a cristandade celebrava o Sabá judeu no sábado, mas Constantino mudou isso de modo que a celebração coincidisse com o dia em que os pagãos veneram o Sol. Até hoje, a maioria dos fiéis vai à igreja na manhã de domingo, sem fazer a menor ideia de que estão ali para pagar tributo semanal ao deus-sol, e por isso em inglês o domingo é chamado de Sun-day, ou “dia do Sol”…).

9) O Senhor recomendaria a leitura deste livro a seus fiéis?

INRI CRISTO: “Recomendo a leitura deste livro a qualquer livre-pensador ou aspirante a livre-pensador que almeja desvencilhar-se dos grilhões impostos pelas religiões alienantes. Aliás, recomendo não só este, mas qualquer livro que acrescente algo de positivo e construtivo ao conhecimento, ao intelecto. Ensino meus filhos que devem sempre ler com espírito investigativo e proceder a uma rigorosa triagem (como ensinei na Parábola dos Diamantes), extraindo da leitura tudo que for bom, coerente, lógico e rejeitando as fantasias, as sandices, os delírios. No caso deste livro O Código da Vinci, à exceção da hipótese de que eu teria me relacionado carnalmente com Maria Madalena, todas as verdades históricas irrefutáveis devem ser profundamente analisadas e levadas à tona, verdades que foram mantidas distantes do povo há séculos. Esse livro chegou numa hora muito propícia, em que os cristãos em geral estão começando a questionar sua fé, a repensar os valores arcaicos que lhes foram impostos desde a infância e, por fim, a aceitar a possibilidade de eu ser quem digo que sou, o mesmo Cristo de ontem, de hoje e de sempre”.

10) O que o Senhor diz sobre sua amizade com Judas, que segundo recentes informações provenientes de manuscritos antigos não teria praticado um ato de traição? Ele realmente o traiu?

INRI CRISTO: “Judas Iscariotes era o único membro letrado do meu séquito e alimentava ambições políticas. Ele tinha comigo uma relação diferente da que eu tinha com os outros discípulos; ele se comunicava comigo pelo cérebro, não pelo coração. Quando a pessoa se comunica pelo cérebro, ela precisa ser alimentada de luz constantemente. Judas não sabia quem sou; ele apenas acreditava. E a crença dele era sustentada pelos milagres. Por ter ambições políticas, ele deveras queria em seu íntimo que eu fosse o rei dos judeus a fim de assumir um posto de ministro quando eu ascendesse ao poder, e eu não podia a priori decepcioná-lo. Eventualmente eu dizia que o meu reino não era deste mundo (João c.18 v.36), mas não podia dizer-lhe todos os dias que o meu reino não era daqui, ao contrário ele me abandonaria. Como Judas manejava o dinheiro, recebia as doações do povo, foi por este motivo e também por causa da ambição que ele prevaricou e vendeu-me por trinta moedas. É óbvio que eu não confiava nele como nos outros discípulos porque ele falava e entendia com o cérebro. A minha relação para com ele era de coração para coração, mas a relação da parte dele comigo não era de coração para coração, era só mental. Se eu assumisse o poder, o trono de Israel, ele ficaria o resto da vida ajoelhado diante de mim, reverenciando-me por ser o rei dos judeus. Mas eu não assumi o poder político e, por ele apenas crer em mim, por não ter certeza da minha identidade, na ocasião da minha passagem por Jerusalém ele foi possuído pelo maligno. Judas mantinha uma relação espúria, clandestina com os sacerdotes, pois sempre tentava convencê-los de que eu sou o Messias, o rei dos judeus, comportamento natural nos que não sabem quem sou. Aqueles que sabem quem sou, junto com o conhecimento, com a conscientização de minha identidade, vem a sabedoria de que não é possível inculcar a luz na cabeça do néscio. A rigor, Judas não podia manter relações com os sacerdotes, que eram meus inimigos. Quando chicoteei os vendilhões do templo em Jerusalém, derrubei manteiga, queijo, pão para todos os lados, espantei os pássaros, os bichos que lá havia para vender, e por fim disse: ‘A casa de meu PAI será a casa de oração mas vós a transformastes num covil de ladrões!’ (João c.2 v.16). Nessa ocasião, o sacerdote que estava à espreita para provar a Judas que não sou Cristo, teve a liberdade de dizer: ‘Estás vendo, se o teu Mestre fosse da paz, se fosse um bom Mestre, não iria prejudicar o trabalho destes coitadinhos que estavam ali vendendo suas mercadorias, ele teria respeitado o labor deles e ainda os haveria abençoado. Mas não, olha só o que ele fez!’ Através disso o sacerdote plantou o germe da traição na fissura da dúvida que já atormentava a cabeça de Judas. Então, possuído pelo maligno, Judas chegou à seguinte conclusão quando lhe ofereceram as moedas para que me entregasse: se ele recebesse os trinta denários, de qualquer maneira seria bom. Na ótica dele, se eu fosse Cristo, nenhum mal poderia acontecer comigo. Já que ele era o tesoureiro, receberia os trinta denários, posteriormente me entregaria e ainda se ajoelharia diante de mim. Mas se algo de mal acontecesse comigo, se conseguissem me deter, significava que eu não era Cristo, e então ele teria livrado a humanidade de mais um farsante, além de ganhar trinta denários e o restante do dinheiro que já guardava na sacola. Foi uma tentação muito grande. Só depois de haver praticado o ato da traição, Judas recordou-se de quando eu dizia que era mister que o Filho do Homem fosse entregue aos pecadores para ser supliciado, sacrificado. Para cumprir-se a justiça, até quando Pedro disse que não permitiria que eu fosse crucificado, chamei-o de demônio: ‘Sai daqui, demônio’ (Mateus c.16 v.22), pois eu tinha a certeza de que era necessário passar por aquilo. Posteriormente, na hora do interrogatório na frente de Pilatos, Judas reapareceu em cena e gritou: ‘Defenda-te, Rabi, defenda-te’. E eu olhei para baixo em direção a ele e disse: ‘Para este momento vim ao mundo’. Só então ele compreendeu que caíra numa armadilha e saiu gritando: ‘Ele é inocente, ele é inocente’ e foi se enforcar (Mateus c.27 v.5). Quem quiser, tire suas próprias conclusões quanto ao grau de amizade que me unia a Judas. Assim como há dois mil anos, hoje também tenho amizade com ateus, com pessoas que apenas creem que sou Cristo, enfim, pessoas que não sabem quem sou, mas que participam da minha batalha, da minha luta contra o principado das trevas”.

11) Nesse caso, como Judas é visto por Deus? Por causa deste erro, ele (Judas) teve que reencarnar para reparar seus erros?

INRI CRISTO: “Nada acontece na Terra sem o consentimento de DEUS. Judas foi usado pela Divina Providência para cumprir o que já estava previsto sobre mim há dois mil anos. Se ele adquiriu algum débito com a lei divina, cabe a ele se redimir perante o SENHOR. Judas Iscariotes reencontrou-me agora e reconheceu-me. Ele é um oficial do exército francês e veio ajoelhado pedir perdão; disse: “Rabi, Rabi, pardon, je ne suis pas digne de toi, je suis Judas Iscariot” (Rabi, Rabi, perdão, eu não sou digno de ti, eu sou Judas Iscariotes). Alguém dentre vós poderia imaginar um oficial militar ajoelhar-se diante de um estrangeiro para suplicar: ‘Rabi, Rabi, pardon’? Pois foi assim que ele procedeu quando me acolheram na França na ocasião em que fui expulso da Inglaterra. Seu nome é Cristiano Obry, ele ajudou na fundação da sucursal francesa da SOUST. Ele intuitivamente cuidava de minha sacola sem que eu lhe pedisse, assim como fazia há dois mil anos; em cada pessoa que me conheceu no passado meu PAI deixou um sinal, e é nas sutilezas que identifico os sinais de meu PAI”.

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